Connect with us

Brasil

Cresce participação de mulheres do campo no PAA

Published

on

Um estudo divulgado pela Conab mostra que a participação feminina no programa alcançou 80% no ano passado; entidades representativas cobram mais atenção do Governo Federal

DA REDAÇÃO

Preguiça é uma palavra que não existe no dicionário de Maria Rosa de Souza, 52 anos. A baiana, nascida e criada na roça, mora hoje na região administrativa de Brazlândia (DF) fazendo o que gosta. Desde pequena, Maria trabalha no campo e, em breve, quer entrar para a estatística que revela o aumento na participação das mulheres que vendem suas produções para programas federais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).  

Uma das fundadoras da recém-formada Associação Agroecológica das Mulheres Rurais do Assentamento Canaã, Maria Rosa reuniu cerca de 30 mulheres que hoje plantam “de tudo”, como ela mesma descreve. “Coentro, alface, verduras, legumes, frutas, tem de tudo aqui. Plantamos milho, feijão, abóbora, graças a Deus”, comemora. 

O campo é lugar de paz para a agricultora. “Moro no campo, gosto do que faço, amo demais, minha vida é essa. Daqui eu tiro o meu sustento, o meu e da minha família. Por isso amo trabalhar na roça”, emociona-se. 

Ela e as colegas não veem a hora de participar de ações grandes, como a do PAA, que tem entre os objetivos promover o acesso à alimentação e incentivar a agricultura familiar. Hoje, o programa é executado com recursos dos ministérios da Cidadania e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Entre as modalidades do PAA, estão compra com doação simultânea, compra direta da agricultura familiar e apoio à formação de estoques. 

“Tenho vontade de participar. Eu só ouço falar, mas deve ser muito bom”, acredita Maria Rosa.  “A Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) já fez até reunião com a gente. E nós plantamos muito. Se o governo pegasse a nossa produção, seria uma maravilha para nós, vou ficar torcendo aqui.” 

A participação de mulheres no PAA alcançou 80% em 2019. O dado, retirado do último compêndio de estudos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra que houve avanço dessa participação entre 2009 e 2019. De acordo com a Conab, essa participação revela que a capacidade produtiva das organizações compostas por mulheres tem se fortalecido e minimizado os problemas de comercialização de seus produtos, além de valorizar a mão de obra feminina e de garantir sua autonomia econômica.  

“O aumento desse número é muito pela governança adotada pelo programa, que vem debatendo há um tempo a priorização dos públicos. Mais recentemente, em função de uma questão conjuntural, adotou-se o ranking de público prioritário. Nesse sentido, os projetos que apresentam um maior número de mulheres são classificados como prioritários, o que faz com que os números aumentem”, explica o superintendente de Suporte à Agricultura Familiar da Conab, Marisson de Melo Marinho.  

Ele lembra uma determinação do grupo gestor do PAA em que são exigidos, pelo menos, 40% de participação feminina para que um projeto seja aprovado. “Mesmo com a diminuição de recursos disponíveis, ainda assim são priorizadas organizações com um maior número de mulheres. As organizações que têm 100% de mulheres têm uma pontuação maior no ranking do que as que têm 40%”, completa Marinho. 

Orçamento reduzido 

No entanto, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) contesta esse otimismo. Em abril, cerca de 800 movimentos sociais de todo Brasil pediram às esferas do governo a retomada do PAA, que estava paralisado por conta da pandemia. A solicitação era para que as autoridades concedessem um aporte emergencial de R$ 1 bilhão ainda neste ano, chegando a R$ 3 bilhões até o fim do ano que vem. O governo federal liberou cerca de R$ 500 milhões. 

“Acredito que vai diminuir muito a participação de mulheres nesse ano porque diminuiu muito a execução do PAA. Nos últimos 12 anos, já tivemos um corte que chega a 90%. Com a pandemia, nem o orçamento já previsto para esse ano acredito que vai ser executado integralmente. Foram menos compras, então muito menos mulheres e homens comercializando pelo PAA. Infelizmente, o programa não é uma prioridade para o atual governo”, lamenta Beth Cardoso, do GT Mulheres da ANA. 

Mesmo com o cenário não tão animador, Beth defende que, ainda assim, há uma participação forte das mulheres na execução do programa. Ela lembra que a agricultura familiar é responsável por 70% da comida que chega às mesas de brasileiros e brasileiras todos os dias – e são as mulheres as grandes protagonistas dessa porcentagem. 

“Entendo o aumento na participação de mulheres no PAA pela própria característica que ele tem de comprar produtos mais diversificados. A partir de pesquisas, a gente percebe que as mulheres tradicionalmente se preocupam e ocupam da produção para autoconsumo e os lugares com demanda do PAA têm como estratégia aumentar o consumo para comercializar junto ao programa. É um tipo de política que favorece as mulheres, porque esses produtos geralmente estão a cargo delas”, constata Beth. 

Mesmo quando não estão diretamente no campo, as mulheres contribuem para o aumento da produção. Isso porque, segundo Beth, são elas que culturalmente acumulam os serviços domésticos. “Temos que fazer o reconhecimento que elas são fundamentais no trabalho de reprodução da agricultura familiar. Mesmo quando ela está fora da lavoura e assumindo o trabalho doméstico, ela está dando uma contribuição muito grande para que a produção seja maior. As mulheres têm uma participação e uma importância muito maior do que o Censo mostra”, avisa.   

De acordo com o último Censo Agropecuário, mais de 15 milhões de pessoas ocupam estabelecimentos rurais no País – apenas 19% são mulheres, que corresponde a menos de um milhão desse total. 

Inspiração

A alagoana de União dos Palmares Ana Cliris, de 31 anos, acredita que a participação das mulheres no campo ainda não representa a força que elas têm. “A participação feminina no campo ainda é muito baixa. Sofremos muitos preconceitos por ter mãos grossas, pele queimada”, conta. “Mesmo assim, eu sou muito feliz em viver no campo. Amo demais a minha rotina, o meu dia a dia. É muito gratificante plantar, poder colher alimentos naturais e levar produtos de boa qualidade para a mesa da população, não tem pagamento maior”, destaca. 

Com uma rotina pesada, que começa às 4h da madrugada, Ana Cliris diz não temer o trabalho e espera ser uma inspiração para outras mulheres ao redor do Brasil. “Nós, mulheres, estamos desempenhando um ótimo trabalho na agricultura. Além de fazermos esse trabalho com amor, com outros olhos, estamos incentivando outras mulheres a não desistirem das terras, a plantar, a colher e isso é gratificante. Estamos de parabéns por vermos a agricultura com outros olhos. É um trabalho árduo, cansativo, dolorido, mas quando faz isso com amor, a recompensa vem logo em seguida.” 

E Maria Rosa, a baiana apaixonada pela roça, endossa a importância da mulherada no campo. “Aqui não tem homem para comparar com a gente, só tem mulher ‘trabalhadeira’, que faz de tudo na roça, capina, planta, tudo a gente faz. Não tem preguiça, não. Como eu gosto de trabalhar na roça, não tem serviço pesado. Homem para mim não faz falta, não”, brinca. 


Fonte: Brasil 61

Continue Reading
Clique para comentar

Deixe uma resposta

Brasil

Satélite brasileiro Amazonia-1 entrará em órbita neste domingo (28)

Published

on

O satélite é de órbita Sol síncrona (polar) e vai gerar imagens do planeta a cada 5 dias

DA REDAÇÃO

O Brasil colocará em órbita o primeiro satélite de observação da Terra totalmente projetado, integrado, testado e operado pelo País. O lançamento do Amazonia-1 será neste domingo (28) à 1h54, horário de Brasília. O satélite é de órbita Sol síncrona (polar) e vai gerar imagens do planeta a cada 5 dias. 

Sob demanda, poderá fornecer dados de um ponto específico em 2 dias. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), isso ajudará na fiscalização de áreas que estejam sendo desmatadas, bem como na captura de imagens onde haja maior ocorrência de nuvens. 

De acordo com o instituto, o novo satélite possibilitará também o monitoramento da região costeira, de reservatórios de água e de florestas. Há, ainda, a possibilidade de uso para observações de possíveis desastres ambientais.


Fonte: Brasil 61

Continue Reading

Brasil

Escolas recebem R$ 62 milhões para garantir água e saneamento básico

Published

on

O valor deve atender mais de 1.600 escolas. Ao todo, 307.347 estudantes serão beneficiados

DA REDAÇÃO

Com o objetivo de empregar recursos financeiros às escolas públicas de Educação Básica do meio rural, o Ministério da Educação já disponibilizou cerca de R$ 62 milhões para o Programa Dinheiro Direto na Escola Água e Saneamento Básico (PDDE Água).

De acordo com a Pasta, os valores devem ser utilizados em adequações ao abastecimento de água em condições apropriadas para consumo e esgotamento.

O valor deve atender mais de 1.600 escolas. Ao todo, 307.347 estudantes serão beneficiados. Até o momento, foi possível aprovar projetos de 503 escolas, que já podem executar serviços para obter acesso permanente à água ou saneamento.


Fonte: Brasil 61

Continue Reading

Brasil

Marco Legal do Mercado de Câmbio deve atrair mais investimentos para o País

Published

on

Paulo Ganime (Novo/RJ) acredita que, a médio prazo, a modernização do setor no País pode trazer benefícios diretos à população

DA REDAÇÃO

Aprovado no início de fevereiro pela Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Projeto de Lei (PL) 5.387/19, conhecido como o novo Marco Legal do Mercado de Câmbio, deve atrair investimentos para o País e, consequentemente, gerar empregos na economia nacional.
A avaliação é do deputado federal Paulo Ganime (Novo/RJ). Segundo ele, a proposta não terá um efeito imediato e direto na vida do cidadão, mas pode trazer impactos positivos a médio prazo. “Acelerando o mercado, melhorando a economia brasileira e atraindo investimentos a gente vai impactar a vida dos brasileiros, porque mais investimento é mais emprego, mais trabalho, e aí melhora a vida de todo mundo”, projeta o parlamentar. 
O PL altera a legislação do mercado de câmbio no Brasil. A ideia é modernizar, simplificar e dar eficiência ao setor. A proposta revisa mais de 40 dispositivos legais, como leis, decretos e portarias, que tratam sobre o tema, alguns que datam do início do século XX.
Encaminhado pelo Banco Central ao Congresso Nacional em outubro de 2019, o novo marco legal do mercado de câmbio passa a permitir, por exemplo, que bancos e instituições financeiras do País invistam recursos captados em ativos no exterior. Outro destaque da proposta é a possibilidade de autorização para que pessoas físicas e jurídicas tenham conta em moeda estrangeira no Brasil. A permissão não é imediata, uma vez que o Banco Central vai regulamentar os limites e prazos para a manutenção da conta, caso o Senado também aprove o projeto.

 
Mudanças

A nova lei cambial visa, também, tornar o Real mais conversível e utilizado em outros países, além de melhorar as condições de trabalho para quem exporta e importa no Brasil.  Para que isso aconteça, o marco passa a permitir, por exemplo, o envio de ordens de pagamento ao exterior usando a moeda brasileira. 
O texto também facilita a vida dos turistas brasileiros. Isso porque propõe que o limite de dinheiro em espécie que cada passageiro pode portar ao sair do País passe de R$ 10 mil para US$ 10 mil.  Para Carlos Eduardo de Freitas, economista e ex-diretor do Bacen, o Projeto de Lei dá força ao Real. “É positivo no sentido de que oferece mais competição à moeda nacional, obrigando o governo a ser mais cuidadoso em sua política monetária e fiscal.”  
O Projeto de Lei também autoriza a atuação de Fintechs no mercado de câmbio. Atualmente, essas empresas só podem atuar nesse mercado se estiverem associadas a uma corretora ou banco. Sozinhas, a legislação proíbe. De acordo com o Banco Central, a medida vai estimular a concorrência e promover maior eficiência.  
Autor do projeto de lei, o Bacen acredita que a proposta vai modernizar a legislação cambial brasileira, adequando-a às tendências internacionais, o que promete facilitar o comércio exterior e atrair investimentos estrangeiros para o País. A nova legislação cambial pode influenciar, inclusive, a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 
 Ricardo Franco Moura, chefe do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial (Dereg), do Banco Central, crê que o PL vai impactar a economia brasileira de duas maneiras: primeiro, facilitando a integração do Brasil com o exterior, sobretudo no comércio. Segundo, porque contribui para a entrada do País no órgão internacional.  
“Essa adesão ajuda nesse processo, porque é um carimbo, um selo de boas práticas que ajuda a vinda de investimentos estrangeiros, obtenção de financiamentos e tem impacto na redução dos custos. Isso é o que vai ajudar a economia a se desenvolver, a crescer e a melhorar a qualidade de vida da população”, diz. 

Tramitação

O novo marco legal do mercado de câmbio segue para análise no Senado. Se não for alterado pelos parlamentares da Casa, vai para sanção do presidente Jair Bolsonaro. 


Fonte: Brasil 61

Continue Reading

Destaque