Projeto de Lei 1325/2022 prevê a obrigação da instalação e facilitação do acesso aos Desfibriladores Externos Automáticos (DEAs) em todo o território nacional para atendimento das vítimas de parada cardiorrespiratória
DA REDAÇÃO
Está em tramitação na Câmara dos Deputados, em Brasília, o Projeto de Lei 1325/2022 que prevê a obrigação da instalação e facilitação do acesso aos Desfibriladores Externos Automáticos (DEAs) em todo o território nacional para atendimento das vítimas de parada cardiorrespiratória. Essa lei pode salvar a vida de mais de 400 mil pessoas ainda em 2022.
Doenças cardiovasculares continuam liderando estatísticas de mortalidade no Brasil. Apenas em 2022, mais de 165 mil pessoas perderam a vida para uma morbidade cardiovascular no país. Ao menos é o que apontam dados do Cardiômetro, um indicador do número de mortes por este tipo de doença, disponibilizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Ainda conforme as estimativas, ao menos 400 mil brasileiros devem falecer por conta deste mal apenas em 2022.
Esses dados coletados pela SBC representam quão alarmante é o quadro. São mais de 1,1 mil óbitos por dia, cerca de 46 por hora ou ainda uma morte a cada 90 segundos. Em vista deste cenário, as doenças cardiovasculares causam o dobro de mortes daquelas causadas por todos os tipos de câncer, cerca de 140% mais que acidentes e violência, 300% que as doenças respiratórias e 650% mais que todas as infecções, incluindo a AIDS.
O médico geriatra, Dr. Marco Antônio Marques Félix, instrutor de suporte avançado de vida pela American Heart Association e consultor da Cmos Drake – empresa fabricante de desfibriladores cardíacos há mais de 30 anos –, interpreta tal quadro como alarmante e alerta para o quanto toda essa situação poderia ser amenizada e até prevenida. “É assustador saber que quase 400 mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e que muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com cuidados preventivos e atendimento adequado. Precisamos nos conscientizar que essa grave situação pode e deve mudar”.
Mesmo diante um quadro alarmante como este, ainda há iniciativas que se alinham ao posicionamento preventivo do médico geriatra em benefício de salvar vidas. Um exemplo é o do aplicativo “My Heart Safe”, que permite pessoas que não estejam vinculadas ao atendimento médico, obtenham informações necessárias para auxiliar no atendimento às vítimas de paradas cardiorrespiratórias até a chegada do SAMU.
Idealizador do sistema, o empresário Luiz Guilherme Calderon esclarece o quanto iniciativas como essas são necessárias. “Dados científicos certificam que o atendimento às vítimas de paradas cardiorrespiratórias nos primeiros dez minutos é fundamental para que ela sobreviva. Já segundo a American Heart Association (AHA), 90% das pessoas que sofrem paradas cardíacas morrem antes de chegar ao hospital. É em vista desta necessidade que precisamos nos unir para combater um mal premeditado e reversível em alguns casos”.