Mercado regulado de carbono pode movimentar R$ 128 bi em receitas no Brasil

Tropical forests can absorb large amounts of carbon dioxide from the atmosphere.
Tropical forests can absorb large amounts of carbon dioxide from the atmosphere.

Estudo do governo com o Banco Mundial também aponta impacto no PIB e redução do desemprego. CNI apresenta proposta de sistema regulado de comércio de emissões de carbono ao governo federal

DA REDAÇÃO

O mercado regulado de carbono tem potencial para movimentar cerca de R$ 128 bilhões em receitas no Brasil, segundo estudo realizado pelo governo brasileiro em parceria com o Banco Mundial. Além disso, a iniciativa mostra expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e redução do desemprego. O mercado de carbono é um sistema adotado por diversos países com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Devido à relevância ambiental e econômica do tema, a Confederação Nacional da Indústria  (CNI) vai apresentar ao governo federal, nesta terça-feira (20), uma proposta  para a implementação de um sistema regulado de comércio de emissões de carbono no Brasil. O gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, explica que o documento é uma estratégia para o sistema de comércio de emissões baseada em três componentes: Plano Nacional de Alocação; Programa de Monitoramento de Emissões de GEE; e Mercado Regulado de Emissões. 

“O mercado de carbono precisa ser pensado de forma conjunta como uma estratégia para a redução de emissões. Ou seja, o Brasil hoje tem a sua meta de redução e o mercado de carbono vai compor toda essa estratégia. Junto com a redução do desmatamento ilegal, com a expansão de renováveis como solar, eólica e biomassa, o fortalecimento da Política Nacional de Biocombustíveis, o mercado de carbono vai compor essa estratégia”, pontua. 

Davi Bomtempo destaca que a participação do setor industrial na discussão do tema é fundamental, já que a indústria será diretamente impactada com a regulação. Ele afirma que a proposta da CNI tem como objetivo chegar a uma legislação capaz de permitir conexão com o mercado internacional e segurança jurídica. 
 
“É mais uma iniciativa que vai compor uma estratégia de redução de emissões. O que se procura estabelecer é um mercado de carbono que converse com o ambiente internacional, ou seja, que a gente tenha  uma conexão com mercados mais maduros e estabelecidos no contexto internacional, como México, União Europeia, Califórnia e Canadá, Coreia do Sul e até mercados menores, como a região metropolitana de Tóquio”, explica. 

O documento será entregue ao governo federal no evento “Diálogo: Mercado Regulado de Carbono e a Competitividade Industria”, nesta terça-feira, em Brasília. 

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Discussão no legislativo

Projetos para a regulação do mercado de carbono estão em discussão no Congresso Nacional. Dentre eles, está o PL 2148/2015, em análise na Câmara dos Deputados. A proposta, entre outros pontos, estabelece redução de tributos para produtos adequados à economia verde de baixo carbono. No Senado, o PL 412/2022 regulamenta o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. O texto prevê mecanismos de mercado que permitam alcançar metas de redução de emissões de gases prejudiciais.

O que é mercado de carbono

O mercado de crédito de carbono é um sistema de compensação de emissão de carbono. Funciona assim: cada empresa tem um limite determinado para emitir gases de efeito estufa. As que emitem menos ficam com créditos, que podem ser vendidos àquelas que passaram do limite. O crédito de carbono equivale a 1 tonelada de gás carbônico (CO²) ou outros gases que deixou de ser emitida para a atmosfera. 

Os mercados de carbono passaram a ganhar mais ênfase em todo o mundo desde a assinatura, por países da Organização das Nações Unidas (ONU), do Protocolo de Kyoto, em 1997. O acordo entre as nações estabeleceu a meta de que países desenvolvidos deveriam diminuir em 5,2% suas emissões de gases que provocam o chamado efeito estufa. A redução deveria ocorrer até 2012. Já em 2015, com a assinatura do Acordo de Paris, as metas foram renovadas e passaram a contar com incentivos ao setor privado.

Descarbonização

A descarbonização é uma das quatro missões previstas no Plano de Retomada da Indústria, apresentado pela Confederação Nacional da Indústria — transformação digital; defesa e segurança nacional e saúde e segurança sanitária são as outras três missões. O documento estabelece a criação e implementação do mercado regulado de carbono como um dos programas para desenvolver uma economia de baixo carbono.

“É fundamental estabelecer um ambiente institucional e legal robusto e transparente, com a participação do setor produtivo, para criação e implementação do Mercado Regulado de Carbono no Brasil. Para tanto, é necessário aprovar um marco legal instituindo o mercado regulado”, defende a CNI. 

Em 2022, o Brasil formalizou o compromisso de reduzir em 37% suas emissões de gases de efeito estufa até 2025; e em 50% até 2030; além de atingir a neutralidade climática até 2050.   

Fonte: Brasil 61

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