Na avaliação de Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV/EAESP, no curto prazo não há chance de avanço substancial no volume extraído

Com dificuldade para elevar a produção no curto prazo, o Brasil não tem como aproveitar a janela de oportunidade que se abriu para exportadores de petróleo após a invasão russa na Ucrânia. Mas, em razão dos investimentos já feitos e dos programados para os próximos anos, deve aumentar sua produção de petróleo em 78% entre 2022 e 2031 e pode alcançar o posto de quinto maior exportador do mundo.
Em 2021, o Brasil exportou quase 483 milhões de barris, ou 1,3 milhão de barris por dia, o que representa 45,5% da produção nacional, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior e da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Foi o segundo maior volume vendido para o exterior, atrás apenas do recorde de 2020 (com mais de 500 milhões de barris exportados), e a maior receita de exportação da história, de US$ 30,6 bilhões, graças à alta dos preços do barril.
As sanções aplicadas ao óleo russo redirecionaram parte da demanda mundial, ainda que com incerteza sobre a continuidade desse movimento. No entanto, especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que o Brasil não tem condições de alavancar prontamente a sua produção para patamares superiores ao atual, ficando de fora das movimentações provocadas pelo conflito.
Na avaliação de Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV/EAESP, no curto prazo não há chance de avanço substancial no volume extraído.
“Em especial em campos marítimos, como é a produção brasileira, não se pode aumentar [a produção] do dia para a noite. O aumento de produção no Brasil depende de investimentos que vão maturando. Se a Petrobras resolver explorar um campo novo hoje vai demorar no mínimo três ou quatro anos para começar a produzir nele. Tem todo um investimento em plataformas, perfuração de poços”, diz Schiozer.
Por outro lado, avalia o especialista, o aumento na produção no médio prazo é certo, em razão dos investimentos já feitos. Segundo ele, o país tem campos que devem permitir uma escalada nas exportações dentro dos próximos cinco ou dez anos.