Connect with us

Brasil

Alimentação nos primeiros anos é decisiva para a formação de hábitos alimentares

Published

on

Uma pesquisa constatou que o consumo de alimentos considerados não saudáveis cresceu nas casas com crianças e adolescentes durante a pandemia

DA REDAÇÃO

É preciso acabar com o mito de que alimentação saudável é cara e inacessível. A conclusão é da nutricionista e consultora Márcia Vitolo, que prega que crianças de até dois anos devem ter contato com todo tipo de alimento in natura e minimamente processado para formação de hábitos alimentares saudáveis. “O Brasil tem uma imensidão de possibilidades”, externa Márcia, que fez o pós-doutorado em nutrição pela Rutgers University (EUA).  

Em uma pesquisa publicada no final do ano passado, o Ibope Inteligência, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), coletou informações de 1,5 mil famílias brasileiras e traçou um perfil em meio à maior crise sanitária do século. As entrevistas mostraram alguns dados preocupantes. Nas casas com crianças e adolescentes, o consumo de alimentos industrializados cresceu no comparativo entre julho e novembro. Nas residências sem crianças e/ou adolescentes, o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas, por exemplo, era de 29%. Com a presença de crianças e de jovens de até 17 anos, o número subiu para 34%. 

Para Márcia, A Alimentação nos primeiros anos de vida é decisiva para a formação de hábitos alimentares, crescimento e desenvolvimento da criança.

“A partir dos dois anos, a criança até pode consumir alimentos não tão saudáveis, mesmo porque as crianças são sociáveis, elas vão frequentar lugares que terão esses alimentos. Mas minha linha é a seguinte: até dois anos, os bebês são menos expostos a ambientes de socialização. Por isso, eles têm que ser protegidos”, reforça a especialista. 

Em um bate-papo com a nutricionista e consultora Márcia Vitolo, ela explica a importância da alimentação in natura e minimamente processada para bebês, ou seja, alimentos saudáveis. 

Quais os alimentos mais indicados para as crianças de até 2 anos? 

“Primeiro que esse período é extremamente importante e determinante para aspectos futuros de saúde e formação de hábitos alimentares. Então, podemos resumir de maneira prática a questão dos alimentos mais importantes dessa forma: até seis meses de idade, é recomendado o aleitamento exclusivo. É o leite materno e só o leite materno. As situações individuais serão orientadas por profissionais de saúde, em casos especiais. Mas a recomendação é que todas as crianças podem e devem ser amamentadas até seis meses com o leite materno, ele “aguenta” tudo, ele atende todas as necessidades da criança.

A partir dos seis meses, começa a introdução dos alimentos complementares. Eles são todos os considerados in natura, minimamente processados, alimentos que nós chamamos de saudáveis. Vamos descrever o que são esses alimentos saudáveis, para ficar bem didático: se a família vai ali na parte de hortifrutigranjeiro de um mercado, tudo aquilo que está nessa parte pode dar para o bebê a partir dos seis meses. Se for à feira, tudo que estiver ali nos corredores pode dar para o bebê. O que isso significa: que a partir dos seis meses não tem restrição de tipo de verdura, de fruta, de legume, nenhuma! É verdura, fruta, legume, cereal, grão, carnes, tudo pode dar. Tem o mito de que não pode dar carne de porco ou peixe nesse início e não existe isso. 

O Brasil tem uma imensidão de possibilidades. É só olhar as carnes: temos frango, peixe, porco… O que nós restringimos são os alimentos ultraprocessados, que normalmente vêm nos pacotes e nas caixas, que têm aditivos, que não se parecem com comida, que foram modificados. As carnes processadas também não recomendamos que deem aos bebês até dois anos, que são as linguiças e as salsichas. Pode dar a carne de porco, mas não a linguiça ou a salsicha. Esses alimentos a gente deve evitar e retardar até lá na frente, até dois anos a gente deve ter um cuidado maior. 

A partir dos dois anos, a criança pode consumir alimentos que não são tão saudáveis? Até pode, mesmo porque as crianças são sociáveis, elas vão frequentar lugares que terão esses alimentos. Minha linha é a seguinte: até dois anos, os bebês são menos expostos a ambientes de socialização.  Eles não vão a festas sozinhos, não andam com amiguinhos (risos). Por isso, eles têm que ser protegidos.”

Ainda em relação à amamentação exclusiva, o que a mãe come pode influenciar nos gostos e preferências da criança?

“Não. O próprio leite materno tem uma variação de sabor muito grande, ele propriamente dito. No início, ele é diferente do final da mamada. De manhã ele é de um jeito; à noite, de outro. Então, a criança que recebe o leite materno começa a receber variação de sabores que têm a ver com o próprio mecanismo fisiológico, e não tanto da alimentação da mãe. É claro que a mãe tem que ter uma alimentação saudável porque a composição do leite pode mudar, mas aí eu não estou falando do paladar [da criança]. 

Eu prefiro não dizer que o que a mãe come pode passar para o bebê porque isso gera uma responsabilidade grande para a mãe – e que não é tão verdadeira. Ela também precisa de energia, precisa de 500 calorias a mais e quer comer algum alimento que dê prazer a ela. Então ela se priva de comer um chocolate, um doce por medo de o bebê gostar. Essa relação não é tão direta. A mãe se sente culpada de tudo e não tem que ser assim. Alergia por meio do que a mãe come é muito rara no Brasil. O que ela tem que ter é uma alimentação saudável para ela, porque a amamentação é um dos momentos fisiológicos mais especiais da natureza, além da gestação.  

Outra coisa que quero esclarecer é que não há nenhuma evidência de que o que a mãe come provoca cólica no bebê. Não tem. Cólicas existem porque têm que existir, é um processo de adaptação e que existem técnicas que melhoram. Os profissionais de saúde já sabem de algumas, como a pega correta, a mãe estar tranquila – porque o estresse aumenta a cólica no bebê – e essa é uma das partes mais difíceis. A gente sabe que a maior parte das ocorrências das cólicas é no fim da tarde, e é quando a mãe está mais cansada. Então, a mãe fica estressada e o bebê fica estressado também, porque ele sente, é um reflexo. 

Oriento as mães a colocarem uma música clássica ou uma música no celular que acalme.”

A alimentação adequada ou inadequada na infância pode impactar na vida adulta? Por quê? 

Sim, pode. Impacta muito e já temos muitas evidências, não são suposições. Há um aspecto muito importante que é o da formação da preferência alimentar. São as papilas gustativas que acabam sendo treinadas para gostar de determinados alimentos. Nós já nascemos com a preferência pelo açúcar, para o doce. Isso é biológico, todos nós nascemos, isso a pessoa gostando ou não, porque tem a ver com a sobrevivência. Nosso organismo é ainda muito primitivo do ponto de vista biológico. Nos primórdios, os alimentos doces eram mais calóricos e seguros – e não eram veneno. Na natureza, os amargos seriam os venenosos. Então, nascemos com isso por uma questão de sobrevivência. Quando a criança, precocemente, recebe um alimento com açúcar, um alimento doce, aquilo já desencadeia uma preferência. E aí vai depender do quanto é oferecido, em que idade, e os dois anos de vida são muito importantes nesse aspecto. Se for apresentado a ela esse sabor, até mesmo de alimentos ultraprocessados e com aditivos, ou do sal dos salgadinhos (ou a ‘crocância’ deles), já começa a formar a raiz da preferência. E as preferências alimentares são determinadas por volta dos dois ou três anos de idade.

Por isso, estamos numa campanha para garantir que as crianças sejam protegidas. É o não dar, o não oferecer [o alimento ultraprocessado]. A criança não vai sair para comprá-los, porque ela é um bebê. Então, se nenhum adulto oferecer, a criança não vai andar e pegar o alimento – claro, se deixar balas e doces acessíveis e espalhados, por exemplo, ela vai comer e vai adorar. A gente tenta fazer essa prevenção. A partir dos dois anos, pode oferecer esse tipo de alimento de uma maneira mais esporádica para não criar também o radicalismo. Temos que pensar que vivemos em sociedade e que as festas estão regadas de alimentos não saudáveis, ricos em açúcar e gordura. O bebê tem a vida inteira para experimentar esse tipo de alimento, então é realmente um cuidado que os adultos devem ter até os dois anos, e a gente sabe que é só não oferecer.

Doenças como obesidade e hipertensão já podem ser desencadeadas na infância? 

Sim, nós já constatamos em nossas pesquisas a prevalência de crianças de seis anos com o colesterol aumentado, com hipertensão e com alterações. E, claro, isso não vem do nada. E aí se for investigar, é uma alimentação inadequada, é um ganho de peso excessivo que ninguém prestou atenção. Nós temos que vigiar, essa vigilância tem que ser feita. Não podemos esperar. Porque primeiro a criança começa com a alimentação inadequada, o ganho de peso vem depois. Vem devagarinho e quando a gente vê… Então, temos que prestar atenção se a criança está comendo demais, se ela mostra sinais de que está insaciável, ver como está a atividade física dela. Esses elementos são muito importantes. Nada de radicalizar, mas é olhar e ver o que dá para melhorar, até porque a criança cresce. Com o adulto é mais difícil, mas com a criança é mais fácil de alterar esse comportamento. 

A senhora percebeu alguma diferença na alimentação das crianças brasileiras em meio à pandemia? Qual? Por que a senhora acha que isso aconteceu? 

A situação já estava ruim, muito ruim. Eu era mais flexível em relação à alimentação das crianças, mas comecei a ficar mais rigorosa até os dois anos porque acompanhei vários estudos e vi a introdução muito precoce de açúcar no bebê. Então, já estava ruim antes da pandemia. 

Para a gente saber se houve um impacto com a pandemia, vamos ter que esperar para ver as pesquisas. A única pesquisa que conheço até agora é a do Ibope/Unicef, com as 1,5 mil famílias. O que a gente tem são alguns relatos que em algumas situações até melhorou. Logo no início da pandemia, muitas pessoas viram que a situação iria piorar e isso sensibilizou algumas famílias a cozinhar em casa. 

Mas temos também essa situação de famílias que se desestruturaram. Crianças em casa, estressadas, sobrecarga no trabalho doméstico e houve um maior consumo de produtos industrializados, como mostrou essa pesquisa do Unicef com o Ibope. Essa é a questão, a portabilidade, a facilidade [em consumir alimentos industrializados]. Realmente, é mais fácil mesmo. Na população vulnerável, a gente sabe que tem a facilidade da conservação desses alimentos, eles não estragam, então são fáceis. Tem a questão do acesso, de preço. A gente tem que pensar o que move, como é feita essa alimentação dentro da família. 

O grande desafio é a gente formar os hábitos alimentares nos dois, três primeiros anos de vida, porque a gente consegue ter controle. Depois de os hábitos já formados, é mais difícil. A gente consegue introduzir [novos hábitos], sem dúvida, com exemplo do que se come em casa, mas é muito importante preparar esse alicerce da formação nos primeiros anos de vida e depois manter um equilíbrio, sem radicalismos.”

Quais as alternativas para famílias brasileiras que ficaram com a renda prejudicada nessa pandemia se alimentarem de forma adequada?

Aqui eu vou resgatar uma campanha do Ministério da Saúde que é o arroz com feijão. Ainda é a nossa alimentação básica, inclusive das famílias que conseguem receber cesta básica. O arroz com feijão é uma combinação linda e maravilhosa para as famílias, para as crianças e inclusive para o bebezinho a partir dos seis meses. É excelente porque tem proteína de boa qualidade, o feijão tem ácido fólico, muitos micronutrientes que até são difíceis de encontrar em alimentos mais caros. 

E aí o que dá para fazer a mais? Tentar comprar uma carne mais barata, até em pouca quantidade. É possível termos uma alimentação saudável bem de baixo custo, sempre priorizando aqueles alimentos in natura, que estão na época (vegetais, frutas). Por exemplo, o abacate é um alimento excelente. É altamente calórico e sustenta. Pode amassar e dar para o bebê. No Brasil, temos alimentos minimamente processados de baixo custo que conseguem atender as necessidades. A banana é outro exemplo. Em alguns países da América Central, ela é fonte até de proteína e não é das frutas mais caras. 

Acho que a gente tem que sair dessa ideia de que alimentação saudável é cara e que não dá para população de baixa renda alcançar. 

Fonte: Brasil 61

Continue Reading
Clique para comentar

Deixe uma resposta

Brasil

Escolas recebem R$ 62 milhões para garantir água e saneamento básico

Published

on

O valor deve atender mais de 1.600 escolas. Ao todo, 307.347 estudantes serão beneficiados

DA REDAÇÃO

Com o objetivo de empregar recursos financeiros às escolas públicas de Educação Básica do meio rural, o Ministério da Educação já disponibilizou cerca de R$ 62 milhões para o Programa Dinheiro Direto na Escola Água e Saneamento Básico (PDDE Água).

De acordo com a Pasta, os valores devem ser utilizados em adequações ao abastecimento de água em condições apropriadas para consumo e esgotamento.

O valor deve atender mais de 1.600 escolas. Ao todo, 307.347 estudantes serão beneficiados. Até o momento, foi possível aprovar projetos de 503 escolas, que já podem executar serviços para obter acesso permanente à água ou saneamento.


Fonte: Brasil 61

Continue Reading

Brasil

Marco Legal do Mercado de Câmbio deve atrair mais investimentos para o País

Published

on

Paulo Ganime (Novo/RJ) acredita que, a médio prazo, a modernização do setor no País pode trazer benefícios diretos à população

DA REDAÇÃO

Aprovado no início de fevereiro pela Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Projeto de Lei (PL) 5.387/19, conhecido como o novo Marco Legal do Mercado de Câmbio, deve atrair investimentos para o País e, consequentemente, gerar empregos na economia nacional.
A avaliação é do deputado federal Paulo Ganime (Novo/RJ). Segundo ele, a proposta não terá um efeito imediato e direto na vida do cidadão, mas pode trazer impactos positivos a médio prazo. “Acelerando o mercado, melhorando a economia brasileira e atraindo investimentos a gente vai impactar a vida dos brasileiros, porque mais investimento é mais emprego, mais trabalho, e aí melhora a vida de todo mundo”, projeta o parlamentar. 
O PL altera a legislação do mercado de câmbio no Brasil. A ideia é modernizar, simplificar e dar eficiência ao setor. A proposta revisa mais de 40 dispositivos legais, como leis, decretos e portarias, que tratam sobre o tema, alguns que datam do início do século XX.
Encaminhado pelo Banco Central ao Congresso Nacional em outubro de 2019, o novo marco legal do mercado de câmbio passa a permitir, por exemplo, que bancos e instituições financeiras do País invistam recursos captados em ativos no exterior. Outro destaque da proposta é a possibilidade de autorização para que pessoas físicas e jurídicas tenham conta em moeda estrangeira no Brasil. A permissão não é imediata, uma vez que o Banco Central vai regulamentar os limites e prazos para a manutenção da conta, caso o Senado também aprove o projeto.

 
Mudanças

A nova lei cambial visa, também, tornar o Real mais conversível e utilizado em outros países, além de melhorar as condições de trabalho para quem exporta e importa no Brasil.  Para que isso aconteça, o marco passa a permitir, por exemplo, o envio de ordens de pagamento ao exterior usando a moeda brasileira. 
O texto também facilita a vida dos turistas brasileiros. Isso porque propõe que o limite de dinheiro em espécie que cada passageiro pode portar ao sair do País passe de R$ 10 mil para US$ 10 mil.  Para Carlos Eduardo de Freitas, economista e ex-diretor do Bacen, o Projeto de Lei dá força ao Real. “É positivo no sentido de que oferece mais competição à moeda nacional, obrigando o governo a ser mais cuidadoso em sua política monetária e fiscal.”  
O Projeto de Lei também autoriza a atuação de Fintechs no mercado de câmbio. Atualmente, essas empresas só podem atuar nesse mercado se estiverem associadas a uma corretora ou banco. Sozinhas, a legislação proíbe. De acordo com o Banco Central, a medida vai estimular a concorrência e promover maior eficiência.  
Autor do projeto de lei, o Bacen acredita que a proposta vai modernizar a legislação cambial brasileira, adequando-a às tendências internacionais, o que promete facilitar o comércio exterior e atrair investimentos estrangeiros para o País. A nova legislação cambial pode influenciar, inclusive, a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 
 Ricardo Franco Moura, chefe do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial (Dereg), do Banco Central, crê que o PL vai impactar a economia brasileira de duas maneiras: primeiro, facilitando a integração do Brasil com o exterior, sobretudo no comércio. Segundo, porque contribui para a entrada do País no órgão internacional.  
“Essa adesão ajuda nesse processo, porque é um carimbo, um selo de boas práticas que ajuda a vinda de investimentos estrangeiros, obtenção de financiamentos e tem impacto na redução dos custos. Isso é o que vai ajudar a economia a se desenvolver, a crescer e a melhorar a qualidade de vida da população”, diz. 

Tramitação

O novo marco legal do mercado de câmbio segue para análise no Senado. Se não for alterado pelos parlamentares da Casa, vai para sanção do presidente Jair Bolsonaro. 


Fonte: Brasil 61

Continue Reading

Brasil

Senado volta a ter comissão para acompanhar as ações contra Covid-19

Published

on

Comissão de fiscalização funcionou até dezembro de 2020, e volta a ter criação de colegiado neste mês de fevereiro

DA REDAÇÃO

O Senado Federal volta a ter uma comissão de fiscalização das ações contra a Covid-19 no Brasil. A criação do colegiado foi aprovada na última terça-feira (23), em sessão plenária semipresencial. 

Esse radar de acompanhamento das iniciativas federais de combate à pandemia funcionou até 31 de dezembro de 2020. A comissão terá seis membros titulares e seis suplentes, com atuação pelo prazo de 120 dias. 

O autor do requerimento foi o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que considerou essencial manter o acompanhamento das questões de saúde pública relacionadas ao novo coronavírus, da situação fiscal e da execução orçamentária e financeira relacionadas à pandemia.


Fonte: Brasil 61

Continue Reading

Destaque