Vivi para contar: ‘Vi que era possível e fui atrás’, diz jovem que ganhou bolsa de R$ 2,2 milhões para estudar fora

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Estava em Aparecida (SP) quando chegou a notícia. A semana prometia resposta, e entreguei nas mãos de Deus. Ao chegar, o resultado saiu e liguei para casa. Meu pai chorou, a minha mãe ficou em choque e depois disse que sabia que eu conseguiria. Após me formar em uma escola pública de Campos (RJ), vou para Northampton (EUA estudar Economia com concentração em finanças internacionais na Smith College, com bolsa de R$ 2,2 milhões. Ao longo da pandemia, desenvolvi interesse em empreendedorismo social, com foco em educação financeira. Quero espalhar empoderamento para meninas em vulnerabilidade socioeconômica, combatendo tabus que impedem aprender e sonhar. Comecei curso técnico em Administração na Faetec para fortalecer esse movimento. Assumi a diretoria regional da ONG Tocando em Frente, que atua em escolas públicas com adolescentes sobre o tema. Conheci Bia Santos, CEO de uma startup de educação financeira, que me apresentou ao programa Jovens Embaixadores do Departamento de Estado dos EUA. Visitei uma universidade e percebi que poderia testar mais coisas estudando nos EUA. Conheci o EducationUSA, que ofereceu apoio técnico e financeiro, inclusive pagou a prova de proficiência e auxiliou com documentos. Mesmo com inglês ainda em desenvolvimento, enxerguei a oportunidade de criar conexões internacionais. Fui para Washington e Tulsa, expandindo horizontes. A seleção levou um ano, durante o qual meus pais passaram por altos e baixos, receios iniciais, mas apoiaram quando viram minha dedicação. Quando a notícia chegou, já tinham aceitado completamente. Na última semana no Brasil houve emoção. Quero explorar as disciplinas da Smith College, que concentra áreas importantes para mim. Procurava estar próximo de uma cidade grande, mas sem morar nela; o campus é perto de Boston e integra um consórcio com universidades vizinhas, facilitando networking e estudos diversos. A Smith é uma instituição apenas para mulheres, o que para Economia é relevante por reduzir desigualdades de tomada de decisão e de percepção de competência. Em turmas dominadas por homens, a mulher precisa provar seu lugar; estar em uma instituição dedicada a mulheres oferece ambiente mais igualitário. Em outros consórcios, as universidades vizinhas permitem transporte estudantil. Quero testar várias áreas, especialmente consultoria estratégica, entendendo problemas de empresas e propondo soluções. Estou aberta a conhecer bastante gente internacional, algo que Campos não oferece, e quero experimentar novas culturas, visões de mundo e formas de resolver problemas. Enquanto estiver lá, pretendo participar de clubes, aproveitar o Halloween nos EUA e viver a experiência acadêmica ao máximo. Após a graduação, quero explorar possibilidades no Brasil ou continuar estudando, sempre com foco em empreendedorismo social. Planejo um retorno futuro ao Brasil para retribuir e trabalhar em causas semelhantes às que me trouxeram até aqui.

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