Em entrevista à Rádio Imprensa, diretora da Secretaria Municipal de Saúde explica como será a entrada da ABEAS, prevista para 23 de novembro, e aborda situação dos trabalhadores, abastecimento e fiscalização do contrato.
A mudança na gestão do Hospital Municipal Georges Hajjar, em Anápolis, está prevista para o dia 23 de novembro de 2026, quando a Associação Brasileira de Entidades de Assistência Social (ABEAS) deverá assumir oficialmente a administração da unidade. O processo será acompanhado pela Secretaria Municipal de Saúde, com planejamento voltado à continuidade dos atendimentos e à segurança dos pacientes.
Em entrevista ao repórter William Rocha, da Rádio Imprensa, a diretora de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Lara Dayse, explicou as medidas adotadas para organizar a transição entre o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), atual gestora, e a ABEAS, vencedora do chamamento público para administrar a unidade.
Segundo Lara Dayse, será instituída e publicada no Diário Oficial uma comissão de transição com representantes da Secretaria, da atual organização social e da futura gestora. O grupo deverá acompanhar as etapas da mudança administrativa e trabalhar para evitar prejuízos à assistência prestada à população.
Mudança na gestão não deve interromper os atendimentos
Durante a entrevista, Lara Dayse esclareceu que a substituição da organização responsável pela administração não significa que o hospital ficará sem profissionais ou que os serviços serão interrompidos.
A diretora explicou que os avisos-prévios concedidos aos trabalhadores fazem parte do encerramento dos vínculos empregatícios com a HMTJ, incluindo o cumprimento das obrigações legais e o pagamento das verbas rescisórias.
Ela também destacou que a nova organização social poderá absorver profissionais que já trabalham na unidade, considerando que eles conhecem a rotina hospitalar e os procedimentos necessários ao funcionamento dos serviços.
A Secretaria Municipal de Saúde pretende acompanhar o processo para garantir que a transição ocorra sem descontinuidade na assistência aos pacientes.
Fiscalização inclui equipes, medicamentos e insumos
Outro ponto abordado na entrevista foi a fiscalização das condições necessárias ao funcionamento do Hospital Municipal Georges Hajjar. Entre os aspectos que exigem acompanhamento estão a contratação de profissionais e a disponibilidade de medicamentos, oxigênio, alimentação e demais insumos essenciais.
De acordo com Lara Dayse, o monitoramento começa ainda durante o período de transição, sem esperar a entrada oficial da nova gestora. A proposta é identificar possíveis problemas antecipadamente e adotar as providências necessárias para evitar falhas no atendimento.
A diretora ressaltou que a continuidade da assistência é uma obrigação que precisa ser cumprida durante todo o processo de mudança administrativa.
Hospital opera com ocupação superior a 90%
A capacidade de atendimento também foi discutida durante a entrevista. Questionada sobre a taxa de ocupação superior a 90%, Lara Dayse afirmou que a estrutura existente foi dimensionada para atender à demanda da unidade.
Segundo ela, a mudança envolve a organização responsável pela gestão, e não as necessidades da população ou o tipo de atendimento oferecido pelo hospital.
A diretora ponderou, entretanto, que uma taxa de ocupação elevada exige planejamento permanente, equipes adequadas e disponibilidade de recursos para garantir a qualidade e a segurança assistencial. A Secretaria continuará acompanhando esses aspectos e poderá adotar medidas conforme as necessidades identificadas.
ABEAS será avaliada por metas e indicadores
A futura gestão deverá cumprir metas e indicadores de desempenho estabelecidos no processo de chamamento público e no contrato de gestão. Entre os parâmetros mencionados por Lara Dayse estão o giro de leitos, o número de internações e altas e a realização de exames.
O acompanhamento ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, por meio da comissão de monitoramento e avaliação das organizações sociais, da Auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos fiscais do contrato, respeitando as atribuições de cada setor.
A avaliação permitirá verificar os resultados da administração e o cumprimento das obrigações previstas para a organização social responsável pelo hospital.
Prefeitura cita experiência de transição na UPA Dr. Alair Mafra
Ao comentar os riscos de eventuais falhas durante a mudança, Lara Dayse citou como referência a transição realizada neste ano na UPA Dr. Alair Mafra, em Anápolis. Na ocasião, uma organização social deixou a administração e outra assumiu o serviço em junho.
Segundo a diretora, uma comissão acompanhou o processo, que ocorreu sem que pacientes ficassem desassistidos. Para ela, a experiência demonstra a importância do planejamento antecipado e da atuação conjunta entre o poder público e as organizações sociais.
A expectativa da Secretaria é repetir esse modelo na transição do Hospital Municipal Georges Hajjar, buscando evitar que a população perceba impactos decorrentes da mudança administrativa.
Contrato regular substituirá contratação emergencial
Lara Dayse explicou que a alteração ocorre com o encerramento do contrato emergencial da atual gestão, previsto para 23 de novembro, e a entrada de um contrato regular, resultado de um processo público de seleção no qual a ABEAS foi declarada vencedora.
De acordo com a diretora, a nova etapa estabelece regras, critérios e obrigações formais para a administração da unidade, com acompanhamento e fiscalização por parte do município.
A Secretaria Municipal de Saúde afirma que a prioridade é assegurar a continuidade dos serviços, a segurança dos pacientes e a transparência dos procedimentos durante a transição.
Reportagem: William Rocha — Rádio Imprensa, Anápolis (GO).