Um inquérito policial conduzido pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC), da Polícia Civil de Goiás, revela indícios de que o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), não apenas sabia da atuação de seu então secretário de Comunicação em postagens difamatórias, como também participava diretamente da coordenação dessas ações.
O caso foi encaminhado à 5ª Vara Criminal de Anápolis e está sendo analisado com base em evidências coletadas, especialmente a partir da perícia no celular de Luís Gustavo Rocha, ex-secretário de Comunicação. Segundo o relatório, foram encontrados “indícios de participação e envolvimento do investigado Márcio Aurélio Corrêa”, atualmente no cargo de prefeito.
Grupo de WhatsApp “Café com Pimenta”
As investigações apontam que Márcio Corrêa integrava um grupo de WhatsApp chamado “Café com Pimenta”, juntamente com Luís Gustavo Rocha e o jornalista Denílson Boaventura, então diretor de Comunicação da Câmara Municipal e sócio de um portal local de notícias.
Apesar de ter o mesmo nome de um perfil no Instagram mantido pelo ex-prefeito Ernani de Paula, os investigadores esclarecem que não há relação entre as duas frentes. O nome do grupo seria, possivelmente, uma referência interna entre os três participantes.
Mensagens obtidas no grupo apontam que o prefeito dava ordens relacionadas às postagens. Uma delas, registrada no inquérito, afirma:
“Bora soltar essa no Anápolis na roda 3” — o que, segundo os delegados responsáveis pela investigação, pode indicar comando direto sobre o conteúdo veiculado em perfis investigados.
Foro privilegiado e encaminhamento ao TJ-GO
Os delegados Luiz Carlos Cruz Filho, Marcos de Jesus Adorno Filho e Leonilson Pereira de Sousa concluíram que há indícios suficientes para justificar o encaminhamento do caso ao Tribunal de Justiça de Goiás, por envolver uma autoridade com prerrogativa de foro.
A investigação, ainda em fase inicial, sugere possível envolvimento direto do prefeito com a coordenação dos ataques, o que exige autorização do TJ-GO para o prosseguimento das diligências.
Perícia digital com tecnologia avançada
As evidências foram extraídas por um software especializado chamado “Materializador de Evidências Digitais e Informáticas”, desenvolvido pelo CyberGaeco, núcleo de combate ao crime cibernético do Ministério Público de Goiás. O sistema é considerado altamente seguro, utilizando algoritmos de hash como SHA-256, padrão internacional adotado em sistemas como blockchain e assinaturas digitais.
De acordo com o laudo técnico, nunca houve registro de falhas de segurança no sistema. A chance de dois arquivos gerarem o mesmo código SHA-256, por exemplo, é de uma em 340 undecilhões — número que equivale a 1 seguido de 36 zeros.
Mais informações sobre o inquérito e seus desdobramentos serão divulgadas conforme o avanço do processo judicial.
Com informações e foto do Site Anápolis Diário