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Brasil

Pandemia traz alerta para situação alimentar precária de famílias vulneráveis

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Pesquisa do UNICEF aponta que 30% dos respondentes das classes D e E afirmaram que deixaram de comer em algum momento porque não havia dinheiro para comprar mais comida

DA REDAÇÃO

“A gente come o que tem.” A frase dita por Lúcia Helena dos Santos, 59 anos, poderia ser apenas uma história isolada em meio à pandemia. Desempregada e moradora da favela de Paraisópolis, considerada a segunda maior comunidade de São Paulo, Lúcia Helena faz parte de uma estatística de mudanças alimentares em meio à pandemia – e nem sempre para melhor. 

Em dois momentos distintos (julho e novembro de 2020), uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), realizada pelo Ibope Inteligência, entrevistou 1,5 mil pessoas e famílias em todo o Brasil para entender como o novo coronavírus afetou a vida dos brasileiros. O estudo, intitulado “Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, aponta que, durante a pandemia, mais de 20,7 milhões de brasileiros afirmaram ter deixado de comer porque não havia dinheiro para comprar alimentos. A região Norte concentra a maior porcentagem de entrevistados que informaram ter passado por essa situação (23%). No Sudeste, onde se encontra o estado de São Paulo, 11% dos respondentes disseram ter ficado sem comida. 

Os dados também mostram que 54% relataram mudanças na alimentação nesse período. O consumo de alimentos industrializados aumentou: em julho, 23% relataram consumir esse tipo de comida; em novembro, o número aumentou para 29%. 

“A gente come o que tem, né? Geralmente tem bolacha recheada”, confessa Lúcia Helena. A moradora de Paraisópolis vive com o marido e um filho e afirma que já passou por momentos mais difíceis. 

Problema estrutural 

A chefe de Saúde do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque, lembra que a realidade de não ter o que comer por falta de dinheiro foi mais evidente nas classes D e E, como mostra a pesquisa UNICEF/Ibope – 30% dos respondentes dessas classes declararam que deixaram de comer em algum momento porque não havia dinheiro para comprar mais comida. “São famílias mais vulneráveis e, ainda mais preocupante, famílias com crianças e adolescentes”, alerta. 

Os dados revelam que 8% dos residentes com crianças e adolescentes – o equivalente a cerca de 5,5 milhões de brasileiros – mencionaram na pesquisa que ficaram sem comer em algum momento da pandemia por falta de dinheiro. Entre aqueles que recebem até um salário mínimo, a proporção chega a 21%. “A gente passa a ter um alerta vermelho para dois problemas, que classificamos como má nutrição: o consumo de alimentos ultraprocessados e não saudáveis, que levam ao aumento de peso e a outros problemas de saúde; e a desnutrição, principalmente das crianças pequenas”, enfatiza Cristina. 

A pediatra e especialista em Saúde do Unicef para o Semiárido, Tati Andrade, reforça que a inserção de alimentos industrializados foi maior nos lares com crianças e adolescentes de até 17 anos. “Macarrão instantâneo, achocolatados, biscoito recheado, isso preocupa muito pelo impacto que eles têm na saúde e nutrição. Uma das justificativas é a comodidade para comprar alimentos prontos, isso é realmente preocupante porque sabemos que os alimentos naturais e frescos são muito mais saudáveis.” 

Para a pediatra, uma alimentação ruim iniciada já na infância pode ter repercussão durante toda a vida. “Doenças como obesidade, hipertensão, diabetes. São consequências muitas vezes de uma alimentação que não foi saudável e que se prolongou ao longo da vida, trazendo consequências danosas por toda a vida”, afirma Tati Andrade. 

Nutricionista e oficial de Saúde do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral, também alerta para o acesso mais facilitado a alimentos já prontos. “As escolhas alimentares hoje não são livres de influência. Não é uma escolha somente daquele indivíduo. Elas são influenciadas pelo meio em que a gente vive e a indústria atua muito fortemente no marketing para crianças. Estamos em um mundo que nos chama o tempo inteiro para que a gente coma alimentos industrializados”, pontua.

Stephanie Amaral completa explicando que muitas famílias vulneráveis, especialmente as que moram nas favelas, vivem no que os estudos chamam de “desertos alimentares”. “São áreas em que é difícil o acesso a alimentos frescos, como frutas e verduras. E isso é muito mais predominante em áreas de maior vulnerabilidade, em bairros periféricos. É mais fácil a gente encontrar lojas de conveniência, que vendem alimentos industrializados, do que encontrar uma feira, um sacolão. Isso significa que uma pessoa que mora em bairros assim precisa se deslocar para ter acesso a alimentos saudáveis.” 

Lúcia e a família viram a realidade mudar quando começaram a participar do projeto Mães da Favela, coordenado pela Central Única de Favelas (Cufa). Só no estado de São Paulo, o projeto alcança quase 11,5 mil famílias com “vales-mães” e já distribuiu mais de 374,4 mil cestas básicas. 

“Ajuda muito. Agora tem arroz, feijão, macarrão… Tem bastante coisa”, avisa Lúcia, mais esperançosa. 

A coordenadora da Cufa Paraisópolis, Claudia Raphael, conta o que tem feito para amenizar o sofrimento das famílias da comunidade. “Desde março, estamos com grandes ações de entrega de alimentos. Foram toneladas, até perdi a conta”, partilha. “Na última entrega, foram doadas duas mil cestas pelo governo do estado, pela iniciativa privada, associações.” 

Além de alimentos, a Cufa tem se mobilizado com a doação de kits de higiene, fraldas e até recarga de gás. “Além disso, doamos os cartões Mães da Favela, que chamamos de bolsas digitais, uma espécie de cartão alimentação. A mãe tem autonomia para escolher o quer comprar e deixar essa renda no comércio local. Nosso trabalho tem sido principalmente em colocar alimento na mesa das pessoas”, garante Claudia. 


Fonte: Brasil 61

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Brasil

Brasil atinge a marca de 250 mil mortes por Covid-19, foram 50 mil em 48 dias

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Se o ritmo do contágio continuar aumentando, o país pode chegar a 300 mil mortes ainda no mês de março

DA REDAÇÃO

Amanhã completa-se um ano desde o início da pandemia no Brasil e foi às vésperas dessa data marcante que, ontem (24), o país ultrapassou a marca de 250 mil mortes devido à Covid-19. Especialistas atribuem esse número às novas variantes que são mais contagiosas e também à campanha de vacinação que ainda não conseguiu avançar no país.

Só para se ter uma ideia de como o ritmo de mortes voltou a se acelerar, vamos relembrar outras datas marcantes: a primeira morte por Covid-19 foi confirmada no país no dia 12 de março, e foram necessários 100 dias para que o número chegasse a 50 mil, em 20 de junho do ano passado. A marca dos 200 mil óbitos foi atingida em 7 de janeiro, bastaram-se mais 48 dias para chegarmos aos 250 mil, ontem (24). Ou seja, se o ritmo das mortes continuar acelerado, segundo os especialistas, o país pode atingir 300 mil mortes ainda no mês de março.

Números da Covid

Em 24h aqui no Brasil foram registrados 1.433 novas mortes, totalizando 250.079 óbitos desde o início da pandemia. Foram também 65.387 novos casos diagnosticados, totalizando 10.326.008 brasileiros que já tiveram ou tem a Covid-19.

A média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.129, a maior registrada desde o início da pandemia. Das seis maiores médias da série histórica, cinco delas foram anotadas ao longo das últimas duas semanas. Já são 35 dias seguidos registrando média móvel acima de mil aqui no país. 

Números da Covid em Goiás

Em Goiás são 388.106 casos confirmados, 8.411  mortes. O Estado permanece na fase vermelha no mapa de contaminação, o que indica alta no número de mortes. A variação da última semana apresenta o acréscimo de 16% no número de mortes.

Em Anápolis são 22.827 casos confirmados, 484 mortes.

Vacinação

Segundo o consórcio de veículos da imprensa 6.179.900 pessoas receberam pelo menos a primeira dose da vacina no Brasil, o que representa 2,92% da população brasileira.

Goiás vacinou 187.456 pessoas, o que representa 2,64% da população do Estado, esse número está estagnado desde o início da semana por falta de doses para dar sequência à campanha de vacinação. Já a aplicação da segunda dose da vacina continua avançando aqui no Estado. A segunda dose já foi aplicada em 30.583 goianos.

Mais doses da Vacina

Ontem (24) Goiás recebeu mais dois lotes de vacinas contra Covid-19. São 53 mil doses da AstraZeneca e 28,8 mil unidades da CoronaVac; ao todo 81,8 mil doses das duas vacinas. Segundo o governo do Estado, essas doses serão destinadas para idosos com mais de 80 anos.

A equipe de jornalismo da Rádio Imprensa solicitou à secretaria municipal de Saúde de Anápolis informações sobre quantas doses virão para a cidade e quais são as orientações para as pessoas que fazem parte do grupo prioritário para receber os imunizantes. A assessoria informou que ainda hoje (25) fará a divulgação dessas informações.

Compra de vacinas

O governador Ronaldo Caiado enviou à Assembleia Legislativa um projeto autorizativo para destinar R$ 60 milhões de reais para comprar 1 milhão de imunizantes ao custo de R$ 60 reais cada. O projeto já foi aprovado.

Caiado também disse que vai remanejar outros R$ 60 milhões no orçamento da Secretaria Estadual de Saúde para comprar mais 1 milhão de doses, totalizando dois milhões de doses nesta primeira compra após a autonomia dada pelo STF a Estados e Municípios para comprar doses dos imunizantes.

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Brasil

Fevereiro contou com 19 leilões de bens apreendidos de criminosos

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A venda já gerou cerca de R$ 2 milhões neste ano, que retornarão à sociedade por meio de investimentos em políticas de segurança pública e de combate às drogas

DA REDAÇÃO

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), encerra o mês de fevereiro de 2021 com 19 leilões. A venda de bens apreendidos de criminosos já gerou cerca de R$ 2 milhões neste ano. A expectativa é superar o valor registrado em 2020, que foi de mais de R$ 134 milhões. No mês de janeiro foram promovidos 15 leilões. Os números apontam um avanço expressivo comparado ao mesmo período do ano anterior. Ocorreram 3 leilões em janeiro e 3 em fevereiro de 2020.

Neste mês, veículos, imóveis e até um avião foram disponibilizados para lances, a partir de 50% do valor avaliado. Nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, imóveis confiscados de traficantes também foram disponibilizados para venda.

O valor arrecadado com a descapitalização de criminosos retorna à sociedade por meio de investimentos em políticas de segurança pública e de combate às drogas, como a capacitação de profissionais, reaparelhamentos das polícias e projetos em âmbito nacional.

Centenas de bens já estão em processo de venda em todo o Brasil e devem ser disponibilizados a leilão nos próximos meses. A Senad trabalha para acelerar a venda do passivo que ficou parado durante anos nos pátios das polícias, gerando custos para o poder público com aluguéis de depósitos para guardá-los.

Fonte: www.gov.br

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Brasil

Faltam 4 dias para o lançamento do satélite brasileiro Amazonia-1

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Neste momento, o equipamento já se encontra instalado sobre o foguete PSLV-C51

DA REDAÇÃO

O Amazonia-1, primeiro satélite de observação da Terra totalmente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil, já se encontra instalado sobre o foguete PSLV-C51. O lançamento será neste domingo (28), a partir da 0h10 (horário de Brasília).

Antes de ser instalado no foguete, na semana passada, tivemos dois eventos importantes na campanha de lançamento do satélite brasileiro. Primeiro, foi feita com sucesso uma “Mission Readiness Review” (Revisão de Prontidão da Missão), na qual os responsáveis do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade de pesquisa subordinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), do Spaceflight, do New Space India Limited e da ISRO (Organização Indiana de Pesquisa Espacial) demonstraram que todos os elementos estão prontos para o lançamento: satélite principal (Amazonia-1), satélites secundários (SindhuNetra, SAI-1 NanoConnect-2 e SpaceBEEs), o lançador PSLV-C51, estações terrenas etc.

Também foi feita a instalação do Amazonia-1 no que é chamado “Multi-Satellite Assembly” (Montagem Multi-Satélites), que é a parte do lançador onde os satélites de missões secundárias (também chamados de “caronas”) são transportados.

Com seis quilômetros de fios e 14 mil conexões elétricas, o Amazonia-1 será o terceiro satélite brasileiro de sensoriamento remoto em operação junto ao CBERS-4 e ao CBERS-4A. Para isso, possui um imageador óptico de visada larga capaz de observar uma faixa de aproximadamente 850 km com 64 metros de resolução.

Acompanhe ao vivo neste domingo (28), a partir da 0h10, a cobertura do lançamento em https://www.youtube.com/mctic/live

Fonte: www.gov.br

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